Articum, araticum, marolo
Árvore inerme, caducifólia, heliófila, monoica, até 8 m de altura e 25 cm de DAP; folhas e casca e frutos verdes com odor característico, derivado de óleos voláteis. Ritidoma cinzento ou pardacento, com sulcos estreitos, regulares; casca interna branco–amarelada a rosada, fibrosa. Madeira a marrom-clara a amarelada, leve. Folhas simples, alternas, pecioladas, ovadas a elípticas, pilosas, com 8-14 x 6-10 cm. Flores hermafroditas, diclamídeas, pilosas, subtriangulares, com dois anéis trímeros de pétalas amarelas, carnosas, e 3,5-4cm de comrpimento. Frutos ovados a globosos, com carpídios muitos salientes; amarelados ou ferrugíneos na maturação, medindo 12-18 x 14-20 cm e pesando até 1,8 kg. Sementes obovadas, marrons, duras, com ± 15 x-10 mm, envoltas em uma polpa amarelada, mole, aromática.
Ocorre no Paraguai, na Bolívia e no Brasil, nas unidades federativas da região Centro-Oeste e nos estados do Pará, Tocantins, Piauí, Bahia, Minas Gerais, São Paulo e Paraná. É encontrada em todas as partes do Cerrado, em cerrados e em cerradões.
Apresenta-se desfolhada no auge da estação seca. Floresce de setembro a novembro e apresenta frutos maduros de fevereiro a abril. As flores são protogínicas, de antese noturna e polinizadas por besouros. A dispersão das sementes é feita por animais terrestres que se alimentam dos frutos.
A madeira é utilizada em obras provisórias no meio rural. Os frutos são apreciados por uma significativa parcela da população do Cerrado, que os consome in natura e eventualmente os usam para fazer bolo, suco, geleia, sorvete e licor. Além disso, serve de alimento para diversas espécies da fauna silvestre. As folhas, a casca e as sementes são usadas na medicina popular regional, contra desarranjos intestinais e para induzir a menstruação. A espécie é indicada para recomposição de cerrados alterados e para formação de pomares de fruteiras não convencionais, como que já vem ocorrendo em diversas propriedades rurais no Cerrado.
Pode ser multiplicada por sementes e por via vegetativa, utilizando-se estacas retiradas de ramos, prática ainda pouco adotada. As sementes apresentam dormência e por esta razão demoram para germinar. Como essa dormência era atribuída à impermeabilidade do tegumento, a recomendação tradicional para superá-la é a de escarificar as sementes com lixa ou um objeto cortante, para facilitar a entrada de água no embrião. Atualmente, com o percepção de que a dormência em sementes de Anona é causada pela presença de embrião imaturo e de substâncias inibidoras de germinação, a recomendação que está começando a predominar é a de tratá-las com ácido giberélico e depois estratificá-las em areia. Experimentos realizados por Melo (1993) e Pereira et al. (2004) indicaram que a dormência dessas sementes é melhor superada quando escarificadas e imersas por quatro dias em solução de ácido giberélico nas concentrações de 250 a 2000 mg/L ou por dois nas concentrações de 1000 a 2000 mg/L. O crescimento das plântulas e dos indivíduos juvenis é lento, com estes entrando em produção ao 9-10 anos de vida.
A. crassiflora tem ampla dispersão no Cerrado e ocorre em várias unidades de conservação de proteção integral nesse bioma, mas predomina em áreas preferenciais para atividades agropastoris e os seus frutos são objeto de extrativismo sem controle. O seu cultivo em pomares poderá ajudar na conservação da sua diversidade genética.

Árvore em cerrado convertido em pastagem. Coromandel (MG), 07-02-2014

Superfície do ritidoma. Coromandel (MG), 07-02-2014

Flor e folhas. Coromandel (MG), 11-12-2014

Frutos maduros. Uberlândia (MG), 21-03-2017